Tudo Bahia
Portal de Notícias

Presença de carbono em Marte pode revelar se existia vida no planeta

Quando os átomos de carbono são medidos dentro de outra substância, como o sedimento coletado em Marte, eles podem ajudar a esclarecer o ciclo de carbono de um planeta.

Uma análise de amostras de sedimentos coletados pelo “astromóvel” Curiosity da Nasa, a agência espacial americana, revela a presença de carbono em Marte. Uma explicação potencial para o motivo da existência desse elemento é a possível existência de vida antiga no planeta vermelho.

O “astromóvel” Curiosity pousou na Cratera Grale, em Marte, em agosto de 2012. A sua missão, que já dura quase uma década, é determinar se Marte já foi habitável por organismos vivos.

Por que a presença de carbono em Marte pode revelar se ali existia vida?

O carbono é a base de toda a vida na Terra, e o seu ciclo é o processo natural de reciclagem dos átomos de carbono. Em nosso planeta, os átomos de carbono passam por um ciclo à medida que viajam da atmosfera para o solo e volta para a atmosfera.

A maior parte do carbono encontrado na Terra está em rochas e sedimentos e o restante está no oceano, atmosfera e ainda em organismos, conforme a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

Por este fato é que os átomos de carbono em junção com seu ciclo de reciclagem são indicadores de atividade biológica na Terra. Deste modo, esses átomos poderiam ser usados para auxiliar os pesquisadores a determinar se já existiu vida em Marte.

Quando os átomos de carbono são medidos dentro de outra substância, como o sedimento coletado em Marte, eles podem ajudar a esclarecer o ciclo de carbono de um planeta, não importando quando esse ciclo ocorreu.

A pesquisa sobre a origem do carbono encontrado no planeta vermelho pode também revelar o processo de ciclagem do elemento em questão em Marte. Um estudo descrevendo em detalhes essas descobertas foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

As possíveis origens de carbono

As medições variadas desses átomos de carbono podem sugerir três coisas muito diferentes sobre a origem desse elemento, logo, sobre o passado de Marte. Ambas as possíveis origens de carbono “são não convencionais”, ou seja, diferentes dos processos comuns que ocorreram na Terra. Confira.

1. A origem do carbono pode estar na poeira cósmica

A primeira origem envolve todo o nosso sistema solar passando por uma nuvem de poeira galáctica, evento que ocorre a cada 100 milhões de anos. A nuvem de partículas pesadas pode causar eventos de resfriamento em planetas rochosos.

No entanto, é possível também que durante esse evento, a nuvem de poeira cósmica tenha causado a redução das temperaturas em Marte, que poderia ter água líquida.

Como consequência, houve a formação de geleiras no planeta vermelho, deixando uma camada de poeira em cima do gelo. Quando o gelo derreteu, a camada de sedimentos, incluindo o carbono, teria permanecido.

Embora esse cenário seja totalmente possível, há poucas evidências que houve formação de geleiras na Cratera Gale e exigiria mais pesquisas por parte dos pesquisadores.

2. A origem do carbono pode estar na degradação ultravioleta do dióxido de carbono

Outra origem de carbono em Marte envolve a conversão do dióxido de carbono no planeta vermelho em compostos orgânicos, como o formaldeído, provocada pela radiação ultravioleta. Esse cenário também exige pesquisas adicionais.

3. A origem do carbono pode estar na degradação ultravioleta do metano produzido biologicamente

A terceira origem desse carbono tem possíveis raízes biológicas. Apesar de o Curiosity já ter detectado metano em Marte, os pesquisadores ainda não podem afirmar se grandes nuvens de metano foram liberadas sob a superfície do planeta. Caso isso tenha acontecido e tenha havido micróbios na superfície do planeta vermelho, eles teriam consumido esse metano.

Outra explicação possível é que o metano tenha interagido com a luz ultravioleta, deixando um rastro de carbono em Marte.

LEIA TAMBÉM

Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa política de privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições. AceitarLer mais