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Violência contra a mulher: app Magalu tem botão para denúncias

A função para denunciar a violência contra a mulher já existe há um ano, mas seu uso cresceu durante o período de quarentena.

Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais esta semana foi o aplicativo do Magazine Luiza. Disponível tanto para sistema Android quanto para IOS, o App Magalu tem um botão para denunciar violência doméstica. Dessa forma, muitas mulheres podem delatar seus agressores sem que eles percebam.

O recurso já existe desde março de 2019, porém ganhou mais notoriedade durante a quarentena, uma vez que muitas vítimas estão 24h em contato com o agressor. Em sua conta oficial do Instagram, a marca fez uma postagem relembrando a função. “Ei, moça! Finja que vai fazer compra no app Magalu. Lá tem um botão para denunciar a violência contra a mulher”, diz a publicação.

Segundo Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho da rede de lojas, houve um aumento considerável no uso do botão para denunciar violência doméstica. Ela afirmou que “o crescimento do número de denúncias foi de quase 400% em maio deste ano em relação ao mesmo período de 2019 e em relação a abril também”.

Para acessar o recurso basta ir no menu “Sua Conta” no canto inferior direito da tela do aparelho. Lá é onde ficam todas as configurações de pagamento, mensagens, endereços de entrega, senha e dados pessoais escritos em cinza. Somente ao rolar a tela, a usuária encontra a frase “Denuncie violência contra mulher”, então:

  1. Clique na frase e uma nova tela com a hashtag #EuMetoAColherSim irá aparecer;
  2. Nela, você verá um botão cor-de-rosa escrito “DENUNCIE”. Aperte ele;
  3. Você será redirecionada para o teclado numérico do seu celular com o número 180 já discado;
  4. Faça a ligação.

Violência contra a mulher: app Magalu tem botão para denúncias

Violência doméstica durante a quarentena

Um dos efeitos colaterais do isolamento social, que tem como objetivo conter o avanço da COVID-19, é o aumento da violência doméstica. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 16 milhões de mulheres com mais de 16 anos já sofreram agressão em algum nível.

A quarentena deveria transformar as casas em refúgio contra a pandemia de coronavírus. No entanto, “para muitas mulheres e meninas, a maior ameaça está precisamente naquele que deveria ser o mais seguro dos lugares: as suas próprias casas”, alertou António Guterres, secretário-geral da ONU.

Sobre isso, a entidade pediu que os países acrescentassem medidas de proteção às mulheres junto aos planos de enfrentamento ao coronavírus. Uma vez que o problema teve “crescimento horrível da violência doméstica em nível global”.

Violência contra a mulher no Brasil

A nível nacional alguns estados já ampliaram seus serviços de registro de boletins de ocorrência de violência doméstica na delegacia eletrônica. Disponível 24h, a Central de Atendimento à Mulher é contatada pelos números 100 e 180. Enquanto casos mais graves devem ligar no 190, número da Polícia Militar.

O canal criado pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos tem vários gráficos acerca das denúncias feitas no país em geral e durante a quarentena. Desde março foram realizadas mais de 13 mil agressões domésticas, 9.768 contra pessoa vulnerável que inclui mulheres, crianças e idosos, enquanto apenas 347 foram especificamente contra a mulher.

Contudo, uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança pública mostra que houve uma queda de registros oficiais em casos de lesão corporal dolosa. “Essa redução se dá apenas pelo fato de as mulheres não poderem ir até uma delegacia e terem dificuldades de fazer as denúncias com seus agressores por perto”, afirmou Jamila Jorge Ferrari, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher de São Paulo. Ela acredita que os crimes estão aumentando.

Para agressões num geral, o governo brasileiro anunciou o aplicativo “Direitos Humanos BR” para denunciar diferentes tipos de violação. Além disso, também são oferecidos abrigos durante o isolamento social para as vítimas de violência doméstica que precisam sair de suas casas.

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